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Era uma vez uma mulher incrível que sonhava em ser mãe. Mãe de menina. Quando essa mulher descobriu que o bebê que carregava na barriga era mesmo do sexo feminino, foi a maior felicidade de todas. Ela já se imaginava nas apresentações de ballet da pequena em alguns anos. E no bebê virando uma criança que sonhava em ser uma princesa e andar sempre linda de unhas feitas e brincos enormes. Esse bebê brincaria muito de barbie e de boneca e adoraria usar todos aqueles vestidinhos chiquérrimos que habitavam o seu armário. Mas como bem dizem por aí, o bebê da cabeça da mãe quase nunca é o mesmo que ela carrega na barriga. Essa mulher é a minha mãe. E bom, o bebê que ela carregava há 28 anos atrás na barriga, era eu. E não, não demorou pra minha personalidade altamente “masculina” vir a tona. Com dois anos eu entrei no ballet, com dois anos e um mês, eu pedi pra sair. Com três anos, eu chorava cada vez que minha mãe pedia pra eu escolher entre os duzentos vestidos lindos que eu tinha. Com quatro anos eu decretei que queria ser menino e ponto final. E por TODA a minha infância, minha mãe não demonstrou que eu era o oposto da menina com a qual ela sonhou a vida inteira. Eu tive tooodos os bonecos que eu quis e as roupas que eu quis. Se a minha mãe pirou porque em 28 anos, minhas unhas prestaram por no máximo um ano? Provavelmente, SIM. Se isso afetou a forma dela me tratar nesse tempo todo? Nem por um segundo. Ninguém mais do que a minha mãe é responsável pela minha confiança, minha transparência, minha autenticidade, enfim, tudo que é derivado da coragem de ser quem eu sou.

Eu implico com minha mãe. Implico demais. Porque somos completamente diferentes. No caso, ela é IGUAL ao Felipe, meu marido.Inclusive, antes de eu sonhar em ficar com o Felipe, minha mãe já amava ele e sonhava com esse casamento (depois dizem que a força do pensamento é balela). Mas só eu sei o quanto eu devo a ela, o quanto eu fui amada desde sempre. E defendida. E compreendida. Imagina você ser chamada toda semana no colégio pra receber reclamação da sua filha? E escutar de todo mundo que a tua filha é respondona e não respeita os adultos (sorry, sua questionadora desde pequetita, ativista mirim). Brabo, né? Mas ela não deixava a peteca cair… E tá aí até hoje. Segurando as pontas pra mim. Cuidando da minha filha, enquanto eu trabalho. Suando atrás da minha filha que tá im-pos-sí-vel. Umas vezes, me convencendo de que eu não vou ser a pior mãe do mundo se não conseguir alimentar a Siena só com orgânicos , outras vezes me lembrando de que, no caso, eu tenho que alimentar a Siena. Umas vezes enchendo o meu saco porque eu não fiz a unha (sério, mãe, por que você não desiste?), outras vezes me salvando com um batom vermelho necessário. Essa é minha mãe, sendo a mãe que eu sempre quis, por mais distante que eu passasse da filha que ela sempre quis em certos momentos. Uma mãe que é tão mãe quando eu tô chegando em casa carregada bêbada chorando “porque eu vô morrêêê, me abraça. mãe”, quanto na hora de escolher o meu vestido de noiva a distância e LACRAR mesmo tendo o gosto completamente diferente do meu. Uma mãe que pede pelo amor de deus pra eu não cortar o meu cabelo maravilhoso, mas que diz que eu tô mais bonita ainda quando eu apareço em casa quase careca.

O aniversário da minha mãe foi dia 08, uma semana depois venho aqui prestar essa singela homenagem, que esse ano, mais do que nunca, eu sei que não chega aos pés de tudo que ela já fez por mim. Mamãe, o aniversário é seu, mas o presente é meu, nosso (da Jo, do papai, do Felipe, da Siena, da Maddie), todos os dias por poder contar com você pra tudo. Obrigada por conseguir abraçar todo mundo ao mesmo tempo e nunca esquecer de fazer um bolinho quando a gente mais precisa. Te amo, te amo, te amo.

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