Há 9 meses você muda a minha vida constantemente. Pera. São 18 meses. Toda hora, me esqueço daqueles 9 meses que guardei você dentro de mim. Aqueles 9 meses inTENSOS. Será que quando você aprender a ler, já vai estar ligada que a mamãe tem o poder de virar bicho? Será que você também vai ser assim?  Que bicho você vai virar? Mas isso é outra história. Sobre aqueles 9 meses. Foram difíceis. Nos primeiros três meses eu não tinha forças pra nada, depois eu engordei tanto que nem me aguentava, meu humor ia de mal a pior e o que eu sentia era parecido com o que sentia ao subir a Pedra da Gávea..”grrr que raiva, por que fui me meter nisso?? tô no inferno, quero voltar mas não dá mais tempo, já era.”. Conto isso pra você hoje porque esses momentos foram apagados da minha memória há 9 meses atrás. No exato dia em que você nasceu. Foi-se a barriga (gradativamente) e as lembranças daquele tempo (de uma vez só). Só fui reavê-las alguns meses depois, quando voltei pra análise e escutei do meu psicólogo que eu parecia outra pessoa. Ixi. É mesmo. Esqueci que tava louca pra me enfiar num buraco e não sair de lá nunca mais. Essa expressão dar à luz é esquisita, a sensação foi mais de receber a luz. Um banho de luz nas cores do arco íris. Puta que pariu (eu, no caso), que vida boa com você do meu lado. Que satisfação acordar com seu sorriso, suas palminhas, seu “ooooi” ou até mesmo seu chute na cara. Eu engravidaria mais trinta vezes por você. Eu aguentaria mais 300 quilos e 300 meses, eu sei que eu nem me lembraria depois e que valeria demais a pena.

Você redimensionou meu mundo, meu tempo, meu espaço. O mundo parece pequeno, o tempo curto demais. Vejo suas fotos de 1 mês atrás e como você mudou. Não quero esquecer dos primeiros dias. De quando você não fazia nada além de dormir e mamar. Não quero esquecer do seu primeiro oi, sua primeira engatinhada, da primeira vez que você sentou sem cair pro lado. E, vou confessar, sou esquecida. Sou muito esquecida. Por exemplo, eu meio que esqueci de montar seu livro do bebê. Ele tá lá, mas eu esqueço de alimentá-lo. Ai filha, a verdade é que já esqueci de quando você era uma bolinha que eu nem sei como respirava. De quando você não comia nada, só m(e)amava o dia todo, eu me esqueci. Aos meus olhos, é tudo uma coisa só. Você é uma Sieninha só. Desde o dia em que eu descobri que tava grávida e nem sabia se você era uma, dois ou três. Quando você era só uma sementinha ou agora, era e é você mesma. Você. Minha Siena. Nossa Siena. Miss simpatia, little miss sunshine. Meu banho de luz de arcoiro (depois te explico)  que conta os minutos pra eu chegar do trabalho e virar meu piercing de mamilo.
É meio-dia e eu já to pirada de saudades de você. Filha, você é mágica. Se você pra mim não muda desde o dia em que chegou, muda meu mundo pra melhor a cada segundo e vou continuar te escrevendo e te agradecendo enquanto me restarem palavras ainda não ditas.

(e de pensar que eu já me preocupei em repetir palavra no texto, não quero nem contar quantas “você” tem nesse aqui.)

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