Virei o ano tendo certeza de que não tinha nascido pra ser mãe, mas se fosse, era pra ser mãe de menino. E aí mexeram em algum interruptor lá em cima e 2015 não foi ano. Foi Ana. Hormônios multiplicados por mil. Vivi a descoberta da gravidez da minha irmã e a descoberta do sexo da filha dela. Era uma menina, era a Maddie. E no dia 3 de maio, descobri que de 2014 pra 2015, era uma taurina, com ascendente em gêmeos e lua em escorpião que eu, também escorpiana, com ascendente em touro e lua em escorpião, vinha guardando aqui dentro . Vivi também o parto da minha irmã, muito mais bonito que o meu.Descobri um pouco do que se passa pela cabeça da minha mãe. Minha vó sempre soube que um dia eu a iria entender. Entendi porque ela é tão dramática e sofre todo dia pela distância da minha irmã, porque ela quer viajar sempre comigo e porque ela chora de desespero até hoje quando eu não atendo seus telefonemas. Vi minha mãe sendo mais forte que o meu pai, pela primeira vez na minha vida. Vivi diversos puerpérios juntos ao meu. Conheci inúmeras mães e me aproximei de outras que já conhecia. Formei um círculo de amor com outras mães que serviu de apoio pra todas as vezes que eu tropecei nessa nova trilha cheia de galhos meio quebrados e pistas escorregadias. Vivi a palavra sororidade tão intensamente com elas, que quase deu pra tocar. Acompanhei amigas que viviam relacionamentos abusivos há anos, finalmente se libertarem das amarras invisíveis que atrofiavam seus sonhos. Vivi reajustes e desconstruções dentro do meu próprio relacionamento que só essa ebulição de pensamentos femininos poderia nos proporcionar. Vivo todo dia meu marido e meus melhores amigos se tornando menos machistas, a olho nu.

Nada disso importaria tanto, se 2015 não tivesse sido o ano em que eu conheci a Siena e descobri que ser mãe supera a cada dia todas as minhas expectativas. Virei mãe de uma menina linda, sem fazer a menor ideia de que era isso, exatamente, o que eu mais queria.

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