5 meses e meio de maternagem exclusiva. Muito peito, muito leite, muito sling, muita fralda (descartável, desculpa), algumas vacinas, muita roupinha (usada, perdida, doada, repassada), de uns tempos pra cá, muitas brincadeiras. Viagens de carro, viagens de avião. Juntas, já estivemos em oito cidades, acreditam? De três países. Muitas tias, avós e primas. Tios, avôs e primos também. De sangue e de coração. Fizemos um montão de amigos e passeamos muito aqui na nossa cidade também. Milhares de fotos, vídeos, facebook, snapchat e instagram. E de pensar que até o último dia da gravidez eu não queria a Siena nas redes sociais. É louco lembrar  que eu já havia tomado decisões sobre ela (que eu nem sabia que era elA) durante a gravidez. Mas também, quem era eu grávida? Uma louca, cheia de amor na barriga e angústia no coração. Há umas duas semanas atrás fui na análise e me dei conta de que tinha esquecido esses 9 terríveis meses. Eles foram completamente ofuscados pelos seguintes 5 e 1/2. Nesses últimos, tudo aquilo que me incomodava antes parece ter deixado de existir. Aquelas- agora- besteiras, foram parar em algum cantinho escuro, esquecido, da minha mente. Entre as despreocupações estão a barriga durinha, a magreza, a necessidade de ser convidada pras festas e encontros, estar na moda e até “ser alguém na fila do pão”. O que eu quero agora é minha Siena. É ser livre, mas só o suficiente pra me permitir pegar ela pelo braço e desbravar todo esse espaço de novo. É ensinar pra ela tudo o que eu aprendi e, ao mesmo tempo, deixar ela aprender sozinha. É contar pra ela sobre a minha visão do mundo. É ajudar a criar o mundo dela. E é ser comprometida também. Com o futuro. Não o meu futuro. O futuro da humanidade, do planeta. O futuro do pensamento coletivo.

Comecei esse texto pra dizer que voltei à vida real. À vida de antes. Voltei a trabalhar. Mas a vida nunca mais será a de antes. Porque quando eu volto pra casa, ela tá lá e quando eu acordo, ela tá lá, sorrindo pra mim e me lembrando que agora é vida normal MAIS Siena. E cá estou eu, sobrevivendo muito bem, a uma semana que eu pensei que seria insuportável e dolorida. Porque esse extra faz toda diferença. Esse sorriso da filha de manhã é força, é paz, é alegria e esperança. Mais do que nunca, ninguém me segura.

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