Encontrei a Carol num aniversário, eu nem tinha muita intimidade, mas sabia que ela tava grávida.. E não sei porque, mas quando a gente sabe que alguém tá esperando um filho, falar sobre isso com ela é quase automático. A gente presume que TODAS as futuras mães estão dispostas a conversar sobre elas mesmas com QUALQUER outra pessoa. Sendo assim, lancei o bom e velho: “Você tá grávida, né?” com aquele sorriso sincero no rosto..todo mundo se alegra com um bebê novo no mundo. “Tô.”. Ela devia estar lá pelas 12 semanas e eu sem ter muito o que comentar, respondi “Mas nem parece, né?”. Minha vontade hoje é criar uma máquina do tempo, voltar naquele dia e dar muitos, muitos socos na minha cara.
Nas últimas semanas, ao me olhar no espelho, não tenho reconhecido o meu corpo. Não sei se me incomoda mais ele não parecer o meu corpo ou ele não parecer o corpo de uma grávida. E isso aconteceu de um dia pro outro. Espero que vocês não tenham ou venham a ter essa fase “mais ou menos” da gravidez. Eu sempre odiei tudo mais ou menos, aqui não vai ser diferente. Quero me fechar numa bolha por dois meses até ter uma barriga decente. Não quero escutar que to mais cheinha, mais encorpada, com a cara mais redonda, que eu tô com cara de mãe (oi?), mas principalmente, não quero escutar que “nem parece que eu to grávida”, por favor. E não, a questão não é ser magra ou gorda, creio que essa mudança de corpo é necessária e inevitável para todas nós, então por favor, respeitem esse meu momento de desespero exagerado e crise de identidade junto ao espelho e não me joguem no lodo do politicamente incorreto. E desculpa, Carol.

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