Eu sempre fui aquele tipo de pessoa “do contra”. Imagino que seja aquele meu defeitinho que sempre completa o “ah, AMO a Isa, MAS, né?” quando as pessoas vão dar seus pareceres sobre mim. Não tenho coragem nem de concordar quando criticam alguém (mesmo que eu já tenha pavor dessa pessoa) com o argumento “ah esse aí só quer discordar de tudo, nem vale a pena levar em consideração”… fico bem quietinha, tento não ser hipócrita. Enfim, pra resumir, meu personagem preferido da Turma Da Monica era o Do Contra, ou seja, não é como se eu tentasse esconder que gosto de descer a escada rolante (que sobe pro segundo andar).

Acho que essa é uma forma de mostrar pra todo mundo que não estou nem aí para aprovação de ninguém, aliás, a aprovação de gente demais me incomoda e me faz pensar que tô fazendo alguma coisa errada. Eu sei, é esquisito, mas o fato é que o aquilo que os outros adoram me servem muito bem na hora de decidir os caminhos que não quero seguir. E claro, não quero apenas ser do contra, quero poder convencer o resto da humanidade de que tenho motivos pra isso. E essa dinâmica de gostar de argumentar somada com as grandes questões da gravidez (parto normal ou cesariana? Menina ou menino? Nomes? Onde vai fazer o enxoval? Como vai ser o quartinho?) e aquela pitadinha de mau humor, que só a Isa grávida consegue colocar pra fora tão bem, resultam em: cinco carinhas de “ah tá, mais uma vez você querendo ser A Diferente” por dia.

E mesmo que eu me olhe seminua no espelho e dê de cara com essa bela pancinha e esse peito que seria capaz de alimentar cinco bezerros e lembrar morrendo de orgulho que tem um serzinho se desenvolvendo a partir de tudo que Eu forneço e que pela primeira vez na vida, Eu vou ter o prazer inenarrááável de ensinar desde o zero o que Eu aprendi sobre as questões que realmente importam na vida (tipo: como ir em busca da felicidade, como evitar que a energia ruim chegue até nós, ou como diferenciar o bem do mal, mesmo que eles coexistam no mesmíssimo espaço várias vezes, ou seja, o básico), sei que na prática essa coisinha aqui dentro também será dona de uma personalidade.

Aprendi em casa que ser diferente ( mesmos dos meus pais) e nadar contra a corrente era uma opção e que mesmo com mais demora, eu poderia alcançar todos os meus sonhos e objetivos.
Então sim, eu quero uma criança que não ligue pro sexo que ela tem, mas e daí se ela se encaixar nos maiores clichês sexistas da humanidade? E quero um quarto montesoriano e uma alimentação vegetariana, mais livros e menos televisão e que principalmente, prefira sempre aquele bichinho que ninguém nem liga no desenho do momento, mas sério, só eu sei o quanto não faz sentido planejar como eu quero que pense o meu filhote que ainda nem nasceu. Até porque se ele puxar a mamy (todo mundo fazendo figuinha), vai querer ser tudo que eu não quero que ele seja.

Anúncios