Eu tava me sentindo mal. Crescia em mim uma fraqueza que eu não reconhecia (apesar de ultimamente magrinha, sempre contei com minha força pra atestar minha saúde.).
Eu tava me sentindo má. Lembro de ter tido uma conversa com meu psicólogo sobre as patadas descomunais (até pra mim) que eu andava dando nas pessoas. Além de me sentir mal e má, os sintomas pareciam os de uma TPM qualquer: peito inchado, cólicas, dor de cabeça e vontade de comer chocolate. Sobre enjoar, eu sou uma pessoa enjoada naturalmente. Mas, né… Tcharan, eu tava é grávida. Não foi no susto, mas também não tava contando os dias, nem transando todo dia pra não perder a ovulação. A verdade é que do momento em que eu resolvi que teria filhos pro dia em que eu descobri que carregava um ser na minha pancinha, não passaram nem dois meses. Mas até eu sentir a gravidez de verdade, demorou mais um pouquinho. No início eu só me senti esquisita, meio doente, muito, muito chata e com preguiça de tudo e todos (sério, só queria dormir.). Não me agradava a ideia da anunciação da gravidez, da obrigação do planejamento de uma historia toda nova e dos compromissos hospitalares que me aguardavam. Confesso que muito disso mudou no dia do primeiro ultra som. Ver aquela miniatura de pessoa que se desenvolvia a partir do que eu provia me fez cair no lado bom (melhor do mundo) da realidade de ser mãe. Eu percebi que a fraqueza era só a força dividida por dois. E a chatice tinha a ver com a sensação de que só esse mini dentro de mim (que por agora também sou eu) importa na vida. Até aqui, a gravidez me parece uma suave e gostosa, porém egoísta, disputa entre a dependência e a independência que crescem lado a lado dentro de mim. Espero poder me reconhecer dentro dessas duas novas pessoas que crescem a partir de agora: eu com ele, ele em mim.

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