Ainda na época que eu trabalhava dia sim, dia não e a tríade casa/trabalho/atividade física não tinha tomado conta da minha semana, tava sentada jogando videogame com o Antonio Pedro, meu quase sobrinho de 8 anos. Discutíamos futebol e super heróis de igual pra igual enquanto passávamos de fase no joguinho que tínhamos descoberto naquela semana, quando me dei conta de que tava na hora de ir pra análise. “Pepe, vou ter que te deixar aí, tenho que ir pra análise, sabe? Análise, psicólogo, sabe o que é isso?” e ele esboçou um sei com cara de quem não sabia nada. Eu expliquei “Então, Pepe, eu vou lá, aí tem um cara e eu fico falando da minha vida pra ele, você, se fosse, ia dizer: meu nome é Antonio Pedro, meus pais são separados, agora eu tenho um irmão mais novo filho de outro pai, esse tipo de coisa”. E ele com a inteligência de uma criança que ainda não foi contaminada por tantas opiniões dos outros e vejam só, é quase dotada de mais independência de pensamento que qualquer adulto, responde prontamente: ah tá, tipo tarô?. E foi com essa pergunta genial de alguém com menos da metade da minha idade, que diversos daqueles pensamentos confusos que boiam no nosso consciente, inconsciente e subconsciente (era pra eu saber a diferença entre eles três?) se juntaram e formaram ideias claras. E de vez em quando precisamos mesmo de ideias claras que iluminem a bagunça que existe dentro da gente. Hoje eu sei que psicólogos e astrólogos servem pras mesmas coisas: escutar, se interessar (seja por obrigação ou não) pelos nossos problemas (sejam eles de verdade ou não) e nos fazer pensar em nós mesmos, enquanto acham uma forma de disfarçar essa influência. Quando há pouco tempo decidi fazer meu mapa astral, cheguei à conclusão de que era estranho nunca ter feito, afinal, eu amo escutar histórias sobre eu mesma. Sou eu que sento na mesa da cozinha e insisto o tempo todo pra minha mãe me contar como eu era quando ainda não sabia que no futuro ia querer saber de mim. E sou eu que vou pra análise e pareço um vinil de uma ópera rock que conta a minha vida (falta só a melodia).
Então esqueça “instinto maternal” ou “louca pra ter filho”, estar sempre perto dos pequenos nas festinhas é pura sede de aprendizado.

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