Vamos falar dos homens que são só garotos. Ou garotas. Homens que não mudam. Homens que só esperam que o mundo os mude. Homens que não vêem motivo pra tomar as rédeas da própria vida quando o planeta gira e passeia e quem não se esforça pra viver, acaba vivendo mesmo assim. Não é fácil apenas existir quando não se está sozinho. O homem vê, escuta, sente e muda, muda mesmo sem querer.
Quem se deixa levar pelas voltas do mundo, deixa de levar pra si aquilo que quer (e nem percebe). Deixa pra trás aquilo que não recolheu e nem cativou. Vai deixando um caminho de migalhas, os pedaços da sua vida que são rapidamente devorados pelos pombos comedores de memória. Quanto menor a migalha, quanto menor a lembrança, mais rápido e com mais facilidade ela é devorada. E mais difícil fica achar o caminho de volta. De volta pro que o homem não fez questão de cuidar, de volta pro que o homem deixou num canto sem luz e sem água, sem saber que um dia poderia precisar.

Esses homens são menos que homens. São aqueles que machucam sem querer machucar, te deixam sem querer te deixar. Porque eles não mandam no próprio mundo, eles nem possuem um mundo no qual você poderia entrar, eles vivem o mundo dos outros e não param pra pensar que viver por viver não é pior, nem mais difícil, do que viver por razões e metas.
Da próxima vez que esbarrar num, sussurre no ouvido dele que o que ele precisa é sair da bolha, que permanecer à deriva pra sempre não vai ter a metade da graça que tem nadar com ou contra a corrente, ou mergulhar bem fundo e ficar chocado com a quantidade de espécies de peixe que existem numa parte tão pequena do oceano.

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