Eu sou uma sonhadora. Sou uma daquelas pessoas que sonham o dia todo e não conseguem ver as coisas do jeito que são. Não gosto de lembrar do passado mas amo criar passados que não vivi. Odeio fazer planos e amo criar futuros paralelos. Desenho historias e bagagens na minha cabeça. O real não tem tanta graça. E mesmo quando tem graça, pode doer porque é real. Tudo que é inventado não me dói. Às vezes,
dói nos outros. Ninguém entende como eu posso ao mesmo tempo ter tanto apego e desapego com a verdade. Mas eu explico: são as minhas verdades. E a verdade e a mentira são pessoais e relativas, como o bem e o mal. E é inevitável que cada um tenha sua própria noção do sentido da vida. Por isso, eu tropeço o tempo todo nos meus próprios dizeres. Quero ser entendida mas não faço questão de explicar tudo de forma fácil, me torno profunda sem querer e em um segundo eu falei mais do que gostaria e você parou de entender. Quem fala demais cai no mesmo vazio do que fala de menos: o vazio do “ninguém me compreende”.
Eu canso rápido das histórias de verdade, eu canso rápido de tudo que é mais óbvio que eu. Acho que por isso, canso mas acabo sempre descansando das minhas amigas. Elas me dão histórias, ideias, misterios quando eu to perto e mais ainda quando to longe. Elas são o seriado que eu sou viciada na vida real, mas só porque eu ( e não só eu) vejo muito além do que é real e do que tá ali em evidência, pra ser visto. Todo mundo nasce com um dom. Queria ter nascido com o dom de vocês felizes, mas acabei com o dom de enxergar mundos infinitos em volta de cada um que passa por mim. E esses mundos existem, se eu pudesse, convidaria vocês.

Anúncios