“Se tu vens, por exemplo, às quatro da tarde, desde as três eu começarei a ser feliz. Quanto mais a hora for chegando, mais eu me sentirei feliz. Às quatro horas, então, estarei inquieto e agitado: descobrirei o preço da felicidade! Mas se tu vens a qualquer momento, nunca saberei a hora de preparar o coração… ” Antoine de Saint-Exupérie em O Pequeno Príncipe.

Será que vai ser sempre assim? Despedidas inconsoláveis. Choros intermináveis. Idas amedrontadas pelas voltas obrigatórias. Dói demais. Eu costumo dizer que o sofrimento é opcional e com força de vontade podemos nos desgarrar dele, que não há motivo pra chorar no final das contas, a vida é bela demais. Mas tem essa hora de desespero, tem esse “eu te amo, tchau” todas as vezes, que nunca acostuma, não melhora. E eu sigo me agarrando no restante, nos dias maravilhosos, na força das nossas almas, quiçá na força de uma alma só que se dividiu na gente. Nessas horas de desespero, eu mordo mil vezes a língua, eu choro o choro de todas as minhas amigas que sofrem pelos homens idiotas do mundo, por todos os pobres coitados que reclamam dos seus pequenos grandes problemas, sinto a impotência de todos os inválidos, a tristeza da perda que eu nem tenho quando perco. Mas o que seria da chegada, se não fosse a partida. E o que seria da sua presença iluminada, se não fosse a saudade. Ainda seria presença, ainda seria iluminada, eu ainda seria feliz, só que não do jeito que só agora eu sou quando tô com você. E ao seu lado, mais valem os momentos extraordinários do que uma eternidade comum.

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