Imagine a cena: uma menina prodígio, linda e desinibida que é feliz e conquista tudo aquilo que quer. Uma outra triste e insegura, cheia de problemas com ela mesma, olhando de longe. Corta. Uma mulher maluca, bonita, mas doida e com a maquiagem toda borrada gritando com uma mulher cansada, refém duma cadeira de rodas, super vitimizada. A maluca é a prodígio, a infeliz é a da cadeira de rodas. Te digo mais: fazendo bem as contas, uma delas é a mocinha, a outra é a vilã. Uma delas tentou matar a outra. Adivinhem quem? Aposto que você achou que a prodígio era a assassina. Temos essa mania de sempre ter pena daqueles que sentem pena de si mesmos e odiar aqueles que já se amam, ou se ambos estão lado a lado de preterir sempre o bem sucedido em relação ao pobre coitado. Acontece que o bem e o mal tem todas as formas que você pode imaginar e muitas vezes aqueles que vêm chorando pra você com mil histórias pra estragar alguém, na verdade são os estragados. São vilões às avessas, vilões que são facilmente confundidos com vítimas por também serem oprimidos e sofridos, a diferença é que só são vítimas da sua própria existência vazia. Cada um deles, precisa pelo menos de uma vítima às avessas: a vítima que parece o vilão, a vítima que jamais se sentirá no papel de vítima, que aceitará o papel de culpada, que raramente irá se defender.
O nome desse filme é “O que terá acontecido com Baby Jane?” e qualquer semelhança com qualquer história que você já viveu é mera coincidência.

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