Outro dia tava no meu local de trabalho alternativo, o banho, onde eu penso sobre tudo aquilo que vou escrever um dia e descubro de onde vim, percebo onde estou e decido pra onde vou, e um pânico engoliu a parte de dentro do meu corpo todo. Tinha acabado de entrar no banho e algum pensamento ligou aquele interruptor que avisa que a morte existe. Passei a pensar no tempo do mundo, desde quando, até quando ele vai existir em todo o seu tamanho e o que eu representava. O que qualquer um representava: os reis, os gênios, os melhores escritores, até aqueles que deixaram legados incomparáveis à humanidade. Todo mundo não representa nada quando você entende que há algo de infinito nessa existência. Daqui a sessenta bilhões de anos, ainda que a Terra já tenha implodido ou sido engolida pelo Sol, o universo ainda existirá, com tudo aquilo que você nunca vai saber. E quem seremos nós, então? Apenas mais um dentro da eterna quantidade de seres humanos que passaram por aqui, seres que por algum motivo tornaram-se humanos e puderam aperceber-se da pequenez que têm. Ganhamos por sabermos o quanto é privilégio ter vida, perdemos por sabermos que ela dura frações de frações do tempo que o mundo tem. Uma mosca dura 24 horas e não sofre com o pouco tempo de vida que tem. Nós, com uma expectativa de 70 anos, passamos 60 desses com medo de morrer. Todos perdem tempo demais criticando a imbecilidade alheia, quando deveriam almejar um segundo de imbecilidade por dia. Um segundo de despreocupação. Um segundo em que a morte não ameace, nem que a vida ameace.De todas as verdades, a que mais dói é essa que ninguém te conta, que se forma sozinha na sua cabeça e te avisa que por mais que você seja o centro do seu mundo, o seu mundo é um grão bem distante e incolor do centro de toda existência.

Anúncios