O tédio dói. Mentira, não dói. O que dói é a falta de dor pra doer. Hoje jogaram na minha cara: “você arruma problemas pra poder sofrer, sua vida é boa demais pra quem escreve, né?”. Acho que é. Quem quer saber que eu tenho tudo que sempre quis e amo tudo que tenho. Quem quer saber que eu já encontrei aquilo que todo mundo busca. Quem quer saber que já tem um ano que eu tô na fase “se melhorar, estraga” da vida? Ninguém. Nem eu. Não é fácil não ter problemas pra descontar suas frustrações. Tristezas não derivam só de problemas, tristezas não derivam só de corações partidos, tristezas não vêm sempre de mãos dadas com dores físicas ou emocionais, tristezas surgem de qualquer espaço vazio que começa a se alastrar dentro de você. E vazios não tem hora pra chegar, não pedem licença e nem sempre partem do mesmo espaço vulnerável que a alma esqueceu de tapar. Ninguém acredita na falta que sentir falta faz, na falta de dor que faz doer, na falta de espera que faz esperar, na raiva que dá não ter raiva de nada e de ninguém e na ansiedade de não ansiar por nada.

Talvez eu tenha procurado mesmo motivos pra sofrer, talvez eu quisesse um pouco da atenção que só as lágrimas atraem. Já passou.

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