Eu amo explosões, eu vivo explodindo e querendo ver tudo explodir. Mas não se tratam só das explosões. São também as luzes te jogando pro alto e pra baixo, pra dentro e pra fora, todo barulho que entra dentro de você e passa a tomar conta do seu corpo, é a forma que tudo parece piscar ao redor só pra parecer cada vez mais claro, é o fato de eles estarem lá em cima, pra todo mundo ver, distantes suficientes pra que todo esse aglomerado transforme-se numa coisa só. É a vontade de chorar que vem diante de um espetáculo tão bonito, mais bonito do que tudo que esse ano te deu. E a vontade de gritar pra ver se junto com as cores, o que você quer jogar pra fora também sobe. E some. É pelo mergulho no mar que há pouco tempo não parecia nada convidativo e agora é quase inevitável. E o resultado final: um corpo leve, fraco, puro. Uma mente vazia de preocupação. Uma alma lavada. Começar do zero, mesmo sabendo que você ainda é você, que não vai ser fácil ser feliz. Agora é o tempo de se livrar dos sentimentos ruins, ainda que novos apareçam. As angústias de quem pensa demais vão continuar chegando. Podem vir.

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