Há um tempo atrás, eu desenhava curvas perigosas pra derrapar de moto e quase cair num abismo, você chegou e transformou todas as curvas numa reta infinita, suave, sem buracos. Eu amava a adrenalina e você também quando eu te conheci. Você não tinha barba, seu cabelo era todo arrumadinho e sempre teve essa mania de agradar qualquer um, mas ainda assim, curtia as inseguranças e dúvidas de um caminho cheio de ruas sem saídas e atalhos cortando lugares perigosos.

Larguei minha moto e peguei carona com você. Pra você não pareceu haver resistência alguma, minha luta foi dentro de mim, rápida e objetiva. Foi fácil optar pela estrada sem curvas, porque essa eu seguiria com você do meu lado. Você sabia que eu só queria estar ali, independente do caminho que fôssemos seguir. Foi você que guiou e ainda guia toda a nossa história com a maturidade de quem já viveu diferente e sabe o que é bom.

Mas eu continuo sendo aquela menina louca viciada em adrenalina, a menina pela qual você se apaixonou, a menina que não sucumbiu diante de todas as suas preces, a menina que há um tempo atrás seria jogada na fogueira facilmente. Você continua sendo o menino que todo mundo ama, um ímã que contém dois polos pra atrair e nem um pra repelir. O menino que sabe que é bom.

Você não se importou quando disseram que mesmo o caminho mais fácil, seria difícil do meu lado, mas agora você tem medo e não confia nos meus mapas e nas informações que vou te passando cada vez que cruzamos uma fronteira, sem perceber que só precisamos ter medo e desconfiança do desconhecido, e que mais do que qualquer caminho, você conhece o que te trouxe aqui.

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