Você querendo que desse certo, o seu certo. Eu querendo que desse errado, o meu errado. E demorou pra percebemos que o meu errado era o seu certo e o seu certo, meu errado, duas pessoas que só queriam chegar no mesmo lugar, mas desistiram de dar nós no cordão umbilical extremamente fino, ainda que tenha se mostrado quase indestrutível, que nos uniu desde sempre. Eu gostava porque odiava, você odiava porque gostava. Ninguém nunca recebia o que esperava. Eram muitas surpresas que deixaram de ser surpresas pra serem o que eram: traços das nossas personalidades que não pertenciam à mesma existência, éramos de mundos diferentes.

Eu, com o que você chamaria de loucura forçada, difícil e chata, que dizia sim pra tudo que os outros diziam não, você predeterminado a desconfiar da genuinidade de tudo. Nos iludimos numa questão que não permite falseamentos, era maior que isso. Viemos de dois lugares distintos, antes mesmo de sermos um espermatozoide fecundando um ovo. Nossas diferenças são soberanas e difíceis de ignorar. Talvez quando eu morrer e voltar pro lugar de onde viemos, eu vá para o seu inferno achando que na verdade estou indo pro meu céu.

Eu poderia ter te chamado, poderia ter ficado mais naquela vez que você me pediu chorando, poderia ter procurado a cura pro seu mal mesmo sabendo que você não queria e ter te falado mais a verdade mesmo sabendo que isso só nos afastaria. Mas você não me chamou, não ficou quando eu precisei, não buscou a cura pra mim e mentia o tempo todo. Eu me resignei e deixei a tristeza me levar pelo caminho que deixasse a gente o mais longe possível. Deu certo pra você e errado pra mim, como a gente sempre quis, só que tivemos que nos soltar pelo caminho.

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