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O tempo passa e eu sinto as pessoas cada vez mais sozinhas no mundo. Cada um criando sua própria bolha, com uma portinha pra entrar e sair a hora que quiser. Dentro, tudo e todos que fazem de você, quem você é hoje, um conjunto de opiniões particulares sobre todos os acontecimentos, relacionamentos e gente, que na verdade são só um reflexo do que você sente por si mesmo. Ao sair pela portinha, você percebe que por mais que se isole, tudo continua igual, aquilo tudo que você sentia pelos outros e pelas situações, vira-se pra você e é como se tudo de bom e ruim que você já viu acontecer, enxaguasse sua alma na forma de uma cachoeira de autoconhecimento.

Nunca são os outros, é sempre você. O amor que você sente, a excitação, a exaltação, a tristeza, a dor e a raiva são suas e são intransmissíveis por mais que pareça que falando alto, ou abraçando e beijando alguém, haja uma transferência de energia. A transferência de energia só existe dentro da mente de cada um que quer receber algo do outro. Hoje em dia eu me fecho com mais facilidade, apesar de naturalmente ser bem vulnerável. Há pouco tempo, era fácil demais causar um turbilhão dentro de mim, pro bem ou pro mal. Mas eu decidi que não quero mais isso. Já troquei energia demais, já troquei informação demais. Vem com alguma coisa nova, ou então não vem. Não vem com os assuntos batidos de sempre, eu já vi e ouvi tudo. Vem com a vontade de criar, de aprender, de inovar. Por mais que inovar te deixe parecendo bem mais besta do que qualquer outra coisa.

A minha opinião não te adianta tanto quanto a sua não vai se criar aqui dentro de mim. E é difícil demais entender e aceitar que cada um tem a sua própria bolha, tem o seu próprio mundo, por mais que o mundo seja materialmente, um só pra todos nós. Entrar em outro mundo é na verdade acrescentar algo no seu e não tem como evoluir sem as trocas que os outros nos proporcionam, mas no final das contas, é você mesmo que está jogando uma partida infinita de xadrez 3D com você e por melhor que formos nessa vida, não é fácil decidir se é melhor empatar ou ganhar e perder ao mesmo tempo de si mesmo.

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