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Nunca me achei um ser pertencente à Terra e só à Terra. Sempre tive esperanças de ter sido abduzida por um E.T. quando mais nova ou ser uma bruxa, um espírito, uma vampira, qualquer raça dessas inexplicáveis.  Talvez tenha sido a força do meu pensamento mas ao longo dos anos, acabei passando por algumas situações bem medonhas que só me fizeram querer mais ainda um dia ter um insight e descobrir que sou mesmo diferente do resto dos seres humanos.

A primeira, eu ainda era bem criança. Com 3 anos, fui pular do porta-malas do carro e caí de queixo no chão. Lembro de chegar em casa, no colo do meu pai, me olhar no espelho e ver aquele sangue estranho jorrando da minha face. Eu não estava entendendo absolutamente nada. Foi estranho. Fui pro hospital com meus pais e uma amiga da minha mãe menos “nervosa” que ela (minha mãe se apavora quando meu olho desvia e eu fico vesga, imagina com acidentes envolvendo sangue..).

Chegamos lá, eu deitei na maca e tomei uma anestesia local. Tudo girava em volta, os médicos falando aqueles clichês de sempre “vou te dar uma anestesia local, vai ser só uma picadinha e blá blá blá” e uma hora eu consegui acalmar e fixar o olhar numa pessoa. Uma pessoa que parecia meu avô por parte de pai que já tinha falecido e eu só não acreditei na hora que era ele, porque na minha cabeça um militar não estaria usando uma camisa havaiana e calça jeans, rindo pra mim o tempo todo. Quando saí, perguntei pra todo mundo se era o meu avô que tava lá. — Claro que não, Isa, seu avô já morreu, antes de você nascer–. “Mas poxa, então quem era esse homem careca, de camisa florida vermelha rindo pra mim o tempo todo”. –Errr.. não tinha ninguém vestido assim lá não..–  E essa foi a minha primeira prova de que eu poderia entrar em contato com seres do além.

A segunda história também foi bem spooky. Eu tinha 16 anos e namorava um cara que tinha uma bi-cama no quarto e ele dormia em cima e eu embaixo. No meio da noite acordei apavorada com um sonho apocalíptico, no qual, uma onda gigante ia engolir e alagar o mundo inteiro. Não tinha pra onde fugir, lembro que no sonho, eu tava no 11º andar olhando pela janela e a onda tava vindo me pegar. Acordei na hora desesperada, acordei o menino e pedi pelo amor de Deus pra dormir com ele. Eu apagava de novo e voltava a ter o mesmo pesadelo.

Acordamos no dia seguinte e em algum momento, paramos na sala pra ver um pouco de TV. Acreditem se quiser, aquele Tsunami mais famoso de todos, que destruiu a Tailândia tinha acabado de acontecer. Demoraram uns 15 minutos até eu me tocar e confirmar com meu ex-namorado que eu tinha mesmo tido aquele sonho. Ele também lembrava, ainda bem, senão jamais acreditariam na minha história.

Agora chegamos na última, no creme de la creme das histórias de terror da minha vida. Eu tinha começado a ficar com um menino fofo, gente boníssima e super espiritualizado.  Resolvemos viajar pra Itaipava e passamos 1 semana lá, sendo hippies. No último dia, a mãe dele chegou pra comemorarmos o aniversário dela (by the way, AMO essa minha ex-sogra). No meio do jantar, eu presenciei uma das cenas mais tensas da minha vida. Ela recebeu um espírito na minha frente. E na hora que ela recebeu, eu senti que aquele espírito, ou seja lá o que fosse, ia interagir comigo. Eu simplesmente sabia.

Não deu outra: no meio de uma mega confusão: o meu namoradinho tava tentando lidar com o espírito, o irmão dele falando que não tava entendendo nada e rindo e o pai achando tudo ridículo e mentiroso e mandando a mãe parar com aquilo, ela virou pra mim com uma voz diferente da voz dela de verdade, passou a mão no meu cabelo, olhou pro filho e falou:

— Você sabe, né? Você sabe que ela é bruxa?

E o menino ainda respondeu: SEI.

Não fiquei com medo na hora. Pra falar verdade, nem lembro direito qual foi o sentimento que me dominou. Por um lado eu tava feliz de ter mais uma história que comprovava meus acontecimentos sobrenaturais mas deu um medinho. Ela alternava entre ficar normal e me pedir desculpas e encarnar o tal espírito e falar coisas do tipo:

— QUE POMBA GIRA!! (passando a mão nos meus cabelos).

Minutos depois, parecia que um furacão tinha passado pela casa. Nada tinha quebrado, nem o prato que ela carregava na hora que caiu e levantou “diferente”. Mas todo mundo tava se sentindo completamente perdido. Ninguém sabia pra onde ir. Só lembro de ter acordado no dia seguinte e de todo mundo ter fingido que nada aconteceu, pra sempre. E pra sempre, esse meu ex-namorado continuou achando que eu era uma bruxinha. E eu também.

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