Uma menina tinha tudo. Ela não sabia o que mais ela queria. Ela tinha amigos, coisas, lugares, comidas, memórias. Um dia depois de tomar uma dessas boas drogas sintéticas descobriu que estava apaixonada por si mesma, por tudo que ela já tinha feito, vivido e sido. Ela se beijou, se abraçou e se amou muito, se olhou mil vezes no espelho e teve certeza de que era aquilo mesmo, ela tava apaixonada por ela mesma. Que delícia.

No mesmo momento, outra menina, também tinha tudo: a segurança, a confiança, a bravura e o pensamento solto da melhor forma possível. Depois de conhecer outra pessoa e saber que podia ser ela mesma do lado dela, se apaixonou por si mesma. Amou o fato de que era suficiente pra ser amada e se amou, independente da outra pessoa.

A terceira entendia tudo isso. Nasceu pra se amar. Mas, coitada, nunca se apaixonou por ela mesma. Tentava se apaixonar por tudo e todos e sabia que assim se tornava o ser mais apaixonante do universo. Mas como se apaixonar por alguém que já se ama muito há tanto tempo? Já se ama antes de saber o que é paixão.

Anúncios