Falta muito pro meu aniversário ainda. Mas esse muito, diminui de tamanho a cada ano. E eu fico mais velha mais rápido, de semana em semana. Pra mim, isso é bem triste. Sempre fui jovem, no sentido mais estrito da palavra: eu sou a menina da Capricho, eu sou a menina que vê Glee e tieta os pirralhetes de 16 anos do One Direction e que sonha em ser amiga da Demi Lovato e da Selena Gomez. Eu sou a menina que fica bêbada de vez em quando mas ainda não aprendeu a gostar de vinho e whisky até hoje.

Então hoje, eu passo metade do dia (na minha cabeça) lembrando de quando era apenas uma teenager, quando meus maiores problemas eram não poder ir no show do Raimundos no Metropolitan porque com razão, minha mãe tinha medo de me pisotearem ou que o meu melhor amigo por quem eu era apaixonada, era, ironicamente, apaixonado pela minha melhor amiga que era a menina mais bonita da sala.

A outra metade do dia, eu gasto pensando que apesar de sim, meus problemas serem bem menos problemas naquela época e sim, minha única responsabilidade era tirar notas boas (o que eu fazia sem esforço, obrigada Deus ou qualquer energia que movia meus neurônios), algumas coisas boas, de fato, vêm com o tempo. E quando vêm quando você é mais nova, são completamente incompreensíveis. Que nem quando eu tinha 16 anos e resolvi ler Nietszche.

Só hoje eu dou valor à inocência dos meus 14 anos que queriam ser 30, mesmo sabendo dar valor aos meus quase 30 anos que sonharão sempre em voltar a ser 14.

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